Neo, CEO da Vitality: "Para ser líder global, a gente tem que brigar pelo título na EWC"

Neo, CEO da Vitality: "Para ser líder global, a gente tem que brigar pelo título na EWC"

15 Jul, 2026, 21:51

|

Última atualização: 15 Jul, 2026, 21:51

A Team Vitality continua sendo uma das organizações de esports mais influentes e famosas até hoje. A organização de Paris conta com mais de 20 times em várias modalidades, mas é claro que os resultados absurdos no Counter-Strike roubam a cena.

Como uma das organizações marcando presença na Esports World Cup 2026 em Paris, a gente conseguiu bater um papo com Fabien "Neo" Devide, cofundador e CEO da colmeia. Isso rolou logo depois da entrevista com Mike McCabe, COO da Esports World Cup Foundation, na coletiva de imprensa que abriu a EWC.

Neo soltou o verbo sobre a participação da organização na edição deste ano da EWC em Paris. Ele deixou clara a vontade de ver a organização rendendo no mais alto nível, mas também mandou a real: a rivalidade é essencial para o ecossistema crescer. Ele não pipocou e deu opiniões fortes sobre o boom dos esports mobile, principalmente depois da Vitality assumir e se fundir com a organização indonésia Bigetron no ano passado, reforçando que é preciso inovar e ficar de olho nas ideias do oriente tanto quanto nas do ocidente.

*A entrevista abaixo foi levemente editada para ser mais direta e dinâmica.


De olho no Top 3 da EWC 2026

Strafe: A Team Vitality tá com um monte de times nesse evento. É uma quantidade absurda. O que vocês esperam do desempenho da Vitality na EWC Paris este ano?

Acho que é meio óbvio dizer que a nossa expectativa é, bom, dar trabalho e lutar muito em toda competição que a gente entra. E o segundo ponto é... Bom, claro que no ano passado a gente terminou em terceiro de um jeito meio dramático, porque passamos muito perto de ficar em segundo. Então a gente tem essa visão, pelo menos de defender nosso terceiro lugar [neste ano], e sonhar com o segundo... e por que não com o primeiro lugar?

[Ficar em] primeiro vai ser muito difícil porque, de novo, a Falcons vem com tudo e se preparou desde o começo para vencer esse evento. Isso vai deixar a competição super tensa, mas se eles derem um deslize e a gente surpreender, empurrados pela nossa torcida e com a motivação extra de jogar em casa, aí quem sabe a gente pode sonhar. Mas vamos manter os pés no chão. E sendo realista, um terceiro lugar seria um baita resultado, e o segundo seria simplesmente mágico.

Inovando sem perder a majestade global

Strafe: Queria saber sobre como vocês dividem os recursos. A Vitality tem times em um monte de modalidades. Como vocês decidem isso e como é o processo na hora de escolher onde e como investir?

Acho que depende. É uma pegada bem de aproveitar as oportunidades, com certeza. A gente tem nossos jogos principais. Esses jogos principais são aqueles de peso no ecossistema da EWC. Por exemplo, Counter-Strike, Rocket League e League of Legends, esses jogos já estão na Vitality há décadas, a gente vai investir neles de qualquer jeito. E aí entram os jogos que a gente descobre através dos torneios, sabe?

Tipo o Mobile Legends, e o fato de que Indonésia, Malásia e Filipinas são gigantescos nisso, e que o ocidente quase não conhece. Então foi uma ótima chance de virar os holofotes e perceber que existe todo um mundo além do Counter-Strike e do League of Legends.

No fim das contas, a gente tenta colocar na balança o risco e a oportunidade. O risco é que, se tem a chance de faturar mil pontos porque o Mobile Legends te rende tanto quanto o Counter-Strike [na EWC], chega uma hora que você precisa alocar recursos onde você acredita que vai garantir um lugar no topo (Winners Hall of Fame). É isso que a gente tenta medir: o nosso risco, mantendo um orçamento responsável, porque no fim a meta da Vitality é ser lucrativa e um negócio saudável e sustentável.

Então, para a gente, é algo que tentamos equilibrar enquanto continuamos sendo líderes globais. E para sermos um líder global, temos que brigar por títulos na EWC. No final das contas, é uma mistura de um monte de coisas, mas é mais sobre abraçar as oportunidades onde podemos dominar e onde também temos espaço para crescer comercialmente em termos de novos fãs, novos mercados ou expansão. Então, para nós, a EWC tem sido uma oportunidade gigante para acelerar e crescer em todos os sentidos.

Os esports mobile estão dominando tudo

Strafe: Você falou sobre o oriente. Eu tenho uma pergunta sobre a compra da Bigetron e a expansão regional da Team Vitality, mergulhando de cabeça nos esports mobile. Isso mostra que a Vitality leva o cenário muito a sério. Você acha que o futuro dos esports está no mercado mobile ou é só mais um nicho?

Bom, eu acho que a gente tem que [expandir para os mercados orientais]. A Bigetron foi uma escolha óbvia para nós, porque, primeiro, eu acho que o que eu vi em Jacarta na Indonésia é bem o que eu vivi na Europa uns 12 ou 15 anos atrás. É a mesma sensação, a mesma energia e a mesma sede de criar algo gigante. A comunidade tá lá. A audiência tá lá. E eu também acho que desse lado do mundo, os PCs não são tão dominantes quanto no ocidente, então é só uma questão de tempo até o mobile dominar e alcançar a Europa também.

Fusão Bigetron e Team Vitality

A galera de hoje quer jogar no transporte, eles não desgrudam do celular nessa nova geração que tá chegando. É uma molecada que cresceu no iPad, e eu não quero soar babaca, mas a realidade é essa. Tem menos gente jogando em console ou PC, então eu acho que é questão de tempo até o mobile tomar conta de vez. E eu acho muito bom a gente aprender o básico com esses países que já estão anos-luz na frente [no mercado mobile].

Para nós, é simplesmente uma ótima oportunidade e uma lição de humildade. O que a gente tá fazendo na Indonésia com a Bigetron é tão surreal que a gente precisa respeitar os caras. E é por isso que a gente não quis chegar com a Vitality e mandar um "Beleza, queremos esse time com essa line-up", e criar do zero algo artificial para o mercado, esmagando os ídolos locais que construíram as fundações da cena por anos a fio. Então, eu acho que essa compra com cara de fusão faz todo sentido. E eu acho que foi disparado o plano de transição mais tranquilo para nós.

Sem rivalidade não tem graça

Strafe: Sobre a cultura dos fãs e o quartel-general de vocês, que fica em Paris na França. Vocês têm grandes rivais por aqui. A Karmine Corp e a Gentle Mates são os maiores exemplos. Você acha que é bom ter rivais locais ou, por outro lado, quando o seu time joga contra a KC ou a M8 em qualquer jogo, rola uma pressão a mais e isso acaba pesando contra?

Eu acho que a rivalidade e a competição no geral são fundamentais, porque se você quer reinar sozinho, você vai reinar sozinho num mercado pequeno e isso não faz o menor sentido. Esses caras dão um gás absurdo na cena. E sabe de uma coisa que eu gosto de falar? Pode soar meio estranho, mas a Gentle Mates e a Karmine Corp existem por causa da Vitality. A maioria dos jogadores e da staff deles veio da nossa organização, eles aprenderam com a gente e viram a gente ralar 13 anos atrás. Então eu acho que é até uma bela homenagem eles se projetarem no ecossistema que a gente começou a construir, igual a Millenium fez antes da gente, e no fim das contas, é um ótimo caminho.

Falando por mim, eu sou viciado em competição. Porque ganhar sem ter concorrência simplesmente não tem o mesmo gosto. Isso empurra a gente para ser ainda melhor localmente, já que a gente tava mais focado no mercado global nos últimos anos. E agora, por causa desses caras, a gente tem que olhar de novo para o que eles tão fazendo e como eles tão conquistando a nova geração. A forma como eles usam os influenciadores para gerar receita ou lotar eventos insanos com 40.000 pessoas só pelo hype do YouTube e da Twitch, isso é uma jogada de marketing genial, sabe? Então, para mim, é fundamental ter essa nova geração chegando com tudo, colocando a gente na parede e garantindo que a gente continue evoluindo, não ficando egocêntricos achando que somos os donos da bola. Nós não somos, e eu acredito que os esports são 100% sobre humildade.

Fique ligado para mais entrevistas exclusivas, notícias fresquinhas e os resultados da Esports World Cup 2026, direto do coração da França, aqui na Strafe.

Crédito da Imagem de Destaque: Exclusivo da Strafe Esports


Leia Mais:

Magos na Rota Inferior no MSI 2026: Ameaça Real ou Só Hype?

Mike McCabe, COO da EWC Foundation: "A Casa Sempre Será Riade"

VALORANT Declara Guerra aos Boosters e Smurfs

Últimas notícias

Dota 2 na Copa do Mundo de Esports de 2026: Resultados da Etapa de Sobrevivência e Programação dos Playoffs

Dota 2 na Copa do Mundo de Esports de 2026: Resultados da Etapa de Sobrevivência e Programação dos Playoffs

As etapas iniciais do Esports World Cup terminaram e agora só restam os Playoffs. Oito times sobreviventes vão batalhar por um dos maiores prêmios do ano em um chaveamento de eliminação única.
7h
Eric Oliveira

Jogadores da PTime Suspensos da EWC 2026 Devido a Investigação da ESIC

PTime foi forçada a dar forfeit em sua partida da Survival Stage contra Vici Gaming devido a uma investigação de integridade da ESIC que veio acompanhada de suspensões provisórias emitidas a Juan "Vintage" Angulo e Oswaldo "DarkMago" Herrera.
7h
Eric Oliveira

Magos na bot lane no MSI 2026: Ameaça ou Hype?

Magos aparecendo no lugar de campeões AD carry tradicionais na bot lane não é necessariamente um fenômeno novo, mas o fato de tantos deles terem sido escolhidos no MSI 2026 tem chamado muita atenção recentemente. Os campeões magos na bot lane são realmente um problema, no entanto? Vamos mergulhar um pouco mais fundo para descobrir mais.
18h
Martin Arévalo-Östberg

Patch de Meio de Temporada da Temporada 3 de Overwatch Introduz Mudanças de Balanceamento de Heróis, Skin Mítica Mauga e Mais

O patch de meio de temporada da Temporada 3 de Overwatch inclui mudanças de balanceamento de heróis, correções de bugs, atualizações do Stadium e a muito aguardada skin mítica Mauga. Confira mais sobre as notas do patch.
14 Jul
Adarsh J. Kumar

League of Legends Classic: Tudo o Que Você Precisa Saber

League Classic é o mais novo modo de jogo chegando a League of Legends. Programado para ser lançado em 29 de julho com o advento da Season 3, o modo é a tentativa da Riot Games de recapturar a sensação de jogar League of Legends nos primeiros anos, completo com nostalgia, tecnologias sombrias há muito esquecidas e acessórios old-school como o sistema de runas, maestrias, itens e feitiços de invocador. Vamos conferir.
14 Jul
Foo Zen-Wen

Mike McCabe, COO da Fundação EWC: "O Lar Sempre Vai Ser Riad"

A Esports World Cup 2026 (EWC) teve seu grande lançamento em 8 de julho, comemorando o início oficial do evento com uma conferência de imprensa de abertura no Hotel de Ville, no coração de Paris. Com muitos palestrantes dando início ao evento, como o CEO da Fundação Esports World Cup, Ralf Reichert, Emmanuel Grégoire, o prefeito de Paris, e outros, ocupando o centro das atenções. Após uma cerimônia de abertura com múltiplos palestrantes, a mídia teve a oportunidade de conversar com representantes da Fundação Esports World Cup, publicadoras de jogos, ou até mesmo representantes de organizações de esports prolíficas como a Team Vitality. Conseguimos falar com Mike McCabe, o COO da Fundação Esports World Cup.
14 Jul
Naim "EnKay" Rosinski

Comentário (0)

Login para comentar sobre esta partida